18 July 2009

11o Domingo Comum, 14.06.09 [Ano B]

11o Domingo Comum, 14.06.09 [Ano B]
Igreja do São João Evangelista, V.N. de Gaia
Cónego Dr. Francisco Carlos Zanger

«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.
Não é que não tenho calendário: já sei que hoje é Domingo, o Décimo primeiro Domingo Comum. Mas hoje deve ser também o Domingo do Corpo de Cristo para mim, porque na ‘Holy Communion’, a minha igreja nos Estados Unidos, a Festa da Acção de Graças pela Instituição da Santa Comunhão[1] é também a nossa Festa Patronal. Quando pensei e roguei sobre a Festa durante esta semana, vi pela primeira vez que há um ‘movimento’, um ‘ciclo’ que começa com as festas da Ascensão, quando Jesus ascendeu para sentar ao direito do Pai, de Pentecostes, quando ele mandou o Espírito Santo para guiar a Igreja nascente, e do mistério da Santíssima Trindade, nesta semana passada, quando adoramos um Deus em Trindade, e a Trindade em Unidade, sem confundirmos as Pessoas nem dividir a substância... e que completou-se na quinta feira passada, com a Festa de Corpo de Deus no calendário português, ou com a celebração da Acção de Graças pela Instituição da Santa Comunhão no nosso calendário eclesiástico. Este ‘movimento’ começou com a Ascensão, uma coisa ‘relativamente’ inteligível, e manifestamente visível: Jesus Cristo, que depois de Seu ressurreição andava e falava com Seus discípulos durante quarenta dias, subiu ao Céu, mesmo em frente deles[2]. Até se não podia entender completamente o “como”, os Discípulos podiam entender o “quê”: que Jesus Cristo, o Filho, ascendeu ao Céu para sentar no lado direito do Pai.
A segunda, a Pentecostes, era menos inteligível, por eles e por nos, quem somos simplesmente humano, mas foi obviamente visível mesmo, quando depois dum ruído enorme, como um vento impetuoso, apareceu-lhes um espécie de línguas de fogo que desciam sobre cada um dos discípulos, e eles começou a falar em línguas que eles nem sabiam[3]. O “como” só podia ser pelo o poder Espírito que Jesus prometeu-lhes, mas o Espírito, ao contrário de Jesus na Ascensão, não “apareceu”: somente o poder do Espírito, as línguas de fogo, foi visível.
Mas o terceiro... a Festa do Domingo da Trindade é uma outra coisa inteira. Para uns dois mil anos, desde o Dia da Ascensão, o nosso Deus não era visível, e com a doutrina da Trindade, da Trindade em Unidade e Unidade em Trindade, mostrou-se incompreensível também... nós temos mentes limitados por ser humano, e o Deus é ilimitado. A Trindade é para além da nossa capacidade de entendimento: a Criação não pode entender o Criador[4]. Nós cremos pela fé, que não é a mesma coisa: saber, entender são coisas da mente, mas a fé é um dom espiritual[5].
Isto é até uma posição oficial da Igreja Católica inteira. Quando era seminarista, encontrei um Bispo da Igreja Ortodoxa Grega, um teólogo bem conhecido, catedrático no seminário Ortodoxo em Novo Iorque. Tão sábio, mas se alguém perguntou “Como é que as Três Pessoas podem ser um só Deus?”, ele só levantou as suas mãos ao ar e dizia “É um mistério santíssimo!”.
Isto é também a posição da Igreja Católica Romana: em 1870, o Concílio do Vaticano Primeiro disse que “A Trindade é um mistério absoluto no sentido que nós não podemos entendê-la, até depois de ser revelada. É um mistério escondido em Deus... e um mistério absoluto porque ficará assim para sempre”[6].
Mas agora, quase voltamos ao ponto de partida, com a Instituição da Santa Comunhão, ou Corpus Christi. Jesus Cristo, que estava ao lado do Pai e do Espírito Santo na Criação[7], que encarnou como um de nos, e não adoptou forma dum rei, dum imperador, como podia, mas encarnou como embrião humana para nove meses, e nasceu do seio da Virgem Maria. Verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Ele morreu por nos, e morrendo, pôs fim à morte; ressuscitando, Ele revelou a ressurreição das todos mortos.
Mas antes de morrer, na noite em que foi traído, Jesus tomou o pão da mesa, deu graças a Deus, partiu-o e deu-o aos Seus discípulos, dizendo, “Tomai, comei, isto é o meu Corpo.” E tomando o cálice e dando graças, deu-lho, e todos beberam dele. E Jesus disse-lhes, “Isto é o meu Sangue, o Sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado.”[8] E continuou com o mandamento, “Fazei isto em memória de mim”.[9]
E é isto mesmo que fazemos, cada semana, aqui neste altar a as altares do mundo inteiro, e nas muitas igrejas Anglicanas e Católicas, não só os Domingos, mas cada dia. Não há Domingo nenhum enquanto a Eucaristia não foi celebrado em dois mil anos; excluindo as Sextas-feiras Santas e os Sábados Santos, talvez não a dia nenhum em mais do mil anos sem a celebração da Eucaristia, dia nenhum em quem o povo de Deus não viu o Corpo e Sangue de Deus no altar de Deus. Este é o poder, o milagre, do Espírito, e da Igreja que é o Corpo de Deus.
Na Santa Eucaristia, num meio que não podemos entender mas só aceitar pela fé, Jesus Cristo é presente; o pão e vinho transformado-se em o Corpo e Sangue do Nosso Senhor. A Última Ceia, Jesus não disse “Isto é “semelhante” ao meu Corpo e Sangue”, mas “Isto é o Corpo e Sangue”. É um dos grandes mistérios da nossa fé, que Jesus Cristo, que foi a Palavra durante a Criação[10], o Cordeiro sem defeito[11] sacrificado por nossos pecados, a Segunda Pessoa da Trindade que foi elevado ao Céu para sentar ao lado direito do Pai[12], e que vai retornar do Céu ao Fim do Mundo, para julgar os vivos e os mortos no Juízo Final[13]... mas também está aqui, sobre Seu altar.
E é até mais complicado: quando Cristo Jesus encarnou na ventre da Virgem Maria, viveu 33 anos com corpo humano. Quando ressurgiu, ainda tinha corpo, e foi no corpo que foi elevado ao Céu, e no corpo que vai retornar para o Juízo Final. Ao mesmo tempo, Jesus está, de Corpo e Sangue, sobre todos as altares Católicos do mundo inteiro. Mas também sabemos que a Igreja é o Corpo de Cristo, e que nos, quem somos membros da Igreja Uma, Santa, Católica e Apostólica, são o Corpo de Cristo! Na sua Primeira Carta aos Coríntios, S. Paulo deixou isto absolutamente claro: “Deus dispôs o corpo de tal modo que deu maior honra aos membros que não a têm, para que não haver divisões no corpo e que os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros. Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele, e se um membro é tratado com carinho, todos se alegram com isso. Ora, vocês são o Corpo de Cristo, e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.”[14]
Não, não posso explicar-lhe: a única explicação é o do Bispo Ortodoxo: “É um mistério santíssimo!”. Eu sei que agora nós vivemos num tempo, num mundo, muito ‘científico’. Pensamos que precisamos explicações cientificas para tudo, e que as coisas que os cientistas ainda não entendem são somente as coisas que irão um dia entender.
Precisamos de nos lembrar que todos os cientistas do universo só podem explorar e estudar e dissecar as coisas dentro do universo, e não o Criador do universo. Os cientistas estão limitados na sua exploração da Criação porque são partes da Criação: como nos, são criados. A ciência só pode estudar “como”; a Fé ensina “Quem”. A primeira é importante; a segunda, essencial.
E os mistérios da Fé são fora do “cúmulo cientifico”... nós não podemos entender-lhes, porque somos partes da Criação, somos criados, mas ao mesmo tempo somos convidados à ser partes deles: somos convidados à mesa. Não precisamos de explicações, de entender ‘como’ que é possível que o que era pão é agora o verdadeiro Corpo de Cristo, que o que era vinho é agora o verdadeiro Sangue. Isto é um assunto da Fé, e não de ciência. O que é que é importante e que somos convidados.
Mas... em inglês, há um provérbio bem velho: “There’s no such thing as a free lunch” , que significa ‘Não há almoços grátis’. Nós somos convidados a mesa do Senhor, porque somos baptizados para a Igreja Santa e Católica, baptizados com água[15] em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Mas nós quem somos convidados também temos de obedecer o mandamentos do Senhor que convido-nos, e em particular o Grande Comissão: que nós que já somos baptizados temos de pregar a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações[16], até que o mundo inteiro seria baptizado, convidado conosco à mesa do Senhor.
Nós somos uma Igreja muita pequena aqui em Portugal, e se olhamos nas estatísticas oficiais vão ver que Portugal é 98 porcento Católica Romana. Infelizmente, não credito. Acho que muitos, e talvez a maioria, dos jovens não há religião nenhuma: não é tão mal como uns países Europeus, mas não é bom. É como na Inglaterra, um país que é oficialmente Anglicano, mas aonde as estatísticas dizem que somente 35 porcento dos adultos crêem em Deus—o porcento em Espanha, um país Católica Romana como Portugal, foi 48 porcento... ainda menos do que um meio[17]. E estes adultos... que é que é que eles vão ensinar os seus filhos?
Aqui em Portugal, eu já encontrei missionários Mormones e das Testemunhas de Jeová, duas fés quem não aceitam os Credos que definam a Cristandade, porque eles não creditam que Jesus era o único Filho de Deus. Também encontrei pessoas (em Braga!) das seitas de Umbanda e Candomblé, duas seitas afro-brasileiras... e eles não eram brasileiros, mas portuguesas! [Quando visitei Fátima, vi numas das lojinhas quem vendem coisas religiosas estatuas da Iemanjá, a deusa do mar Africana do Umbanda, Candomblé, e Macumba, misturado com as estatuas da Virgem Maria! Não acreditei—precisava de tirar uma fotografia!]
Eu não tenho interessa em a evangelização das Católicas Romanas à nossa Igreja, bem como não tenho interessa em convertendo os Ortodoxas ao Anglicanismo: somos todos partes da Igreja Católica e Apostólica. Até não penso muito nas membros das igrejas protestantes, como as metodistas ou presbiterianos. Mas tenho muito interessa nas almas das pessoas quem não há crença nenhuma, ou quem creditam em coisas pagão ou herético. E não precisamos ser missionários para África ou Mongólia Externo... podemos encontrar pessoas com fé nenhuma aqui em Vila Nove de Gaia. Podemos entrar-lhes, e convidar-lhes, porque temos uma coisa que eles gostariam de ter... a promessa de vida eterna.
Há somente um problema com a Grande Comissão. No Evangelho do S. Mateus, aonde o mandamento é mais claro, é também impossível. Depois da Ressurreição, Jesus disse aos discípulos, “Portanto, vão e façam com que os povos se tornem meus discípulos. Baptizem as pessoas em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a obedecer a todo que eu tenho mandado”[18]. O problema é só isso: é impossível. Nós podemos falar, ensinar, pregar, mostrar... mas não podemos converter. Como já disse, a Fé é um dom espiritual—não pode ser “forçado”. Precisa do Espírito Santo.
E agora (finalmente!) chegamos ao Evangelho de hoje. Jesus disse aos Doze e os outros discípulos, “O Reino de Deus é assim: A semente é lançada à terra. Quer o semeador esteja acordado ou a dormir, ela nasce e cresce, sem ele saber como isto se passa. E a própria terra dá o fruto: aparece primeiro a planta, depois a espiga e mais tarde o grão.”
Nós somos — somente podemos ser — os semeadores. A nossa parte da Grande Comissão é para lançar a semente; o Espírito Santo faz de crescer. E ‘ser semeado’ não deve ser uma coisa que nós fazemos, mas que nós somos. ‘Ser semeador’ não é somente indo, porta à porta, perguntando “Vocês conheçam Jesus?”, na maneira de uns grupos protestantes. A melhor forma de evangelizar é de ser verdadeiramente Cristão.
Se o mundo sabe que você é Cristão (e melhor, Anglicana da Igreja Lusitana, claro!), e se pode viver uma vida feliz neste mundo, uma vida em que pode fazer o tempo para ajudar outros, uma vida em que fica sem aborrecimento apesar de todas as chatices da vida diária, de dominar as tentações deste mundo, seguro na esperança da vida que há-de vir, vai lançar sementes. As pessoas menos feliz, mais chateados com a vida, mais medrosos neste tempo de crise, vão perguntar, “Que é que é o seu segredo?”
Se há amigos que nunca não são religiosas, convidem-lhes para visitar uma vez, mas com gentileza... um semente empurrado profundamente de mais não vai chegar ao sol.
Talvez nunca vai saber se cresce ou não: isto esta nas mãos de Deus. Mas isto também é a responsabilidade de Deus. A nossa responsabilidade é de lançar a semente. E quando a semente cresce, primeiro a planta, depois a espiga e mais tarde a grão, vai crescer também a Igreja. Porque a Igreja, o Corpo de Cristo, e como um pão, feito como todos pães, de trigo, feito de grãos.
Quando comemos o Corpo de Cristo, sabemos que foi transformado do pão; pão feito de muitos grãos. E nós, quem somos o Corpo de Cristo, recebemos o Corpo de Cristo, e assim participamos no Corpo de Cristo: Sendo embora muito, somos um só corpo, porque todos partilhamos de um só Pão.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen

[1] Liturgia da Igreja Lusitana, p. 201
[2] Actos 1, 6-12
[3] Actos 2, 1-12
[4] Job 32, 1 – 42, 6
[5] 1 Coríntios 12, 9
[6][6] Catholicism, by Richard McBrien, Winston Press, 1o Edicão, 1980.
[7] S. João 1, 1-3
[8] S. Marcos 14, 22-24
[9] 1 Coríntios 11, 24-25; S. Lucas 22, 19
[10] S. João 1,1
[11] Êxodo 12, 5, S. João 1, 36
[12] Actos 1, 9-11
[13] S. Mateus 25, 31-6
[14] 1 Coríntios, 12, 24-27
[15] Actos 8, 36
[16] S. Lucas 24, 47
[17] Religious Views and Beliefs Vary Greatly by Country, According to the Latest Financial Times (FT)/Harris Poll, publicado 20.12.2006 , http://www.prnewswire.com/cgi-bin/stories.pl?ACCT=104&STORY=/www/story/12-20-2006/0004495063&EDATE=

[18] S. Mateus 28, 19-20

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