04 March 2009

Homilia para o 1º Domingo da Quaresma, 01.03.09 [Ano B]

1º Domingo da Quaresma, 01.03.09 [Ano B]
Igreja do Redentor/ Porto
©Cónego Dr. Francisco Carlos Zanger


«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.


«Cristo morre pelos vossos pecados. Ele, que foi justo, morreu pelos maus para nos conduzir a Deus. Morreu fisicamente e voltou a viver pelo Espírito. Com a força do Espírito, ele foi pregar aos espíritos que estavam prisioneiros, aqueles que outrora, no tempo de Noé, tinham sido rebeldes...»
Estes palavras do S. Pedro são uns dos versiculos da nossa Bíblia que já fiz muitos dificuldades para nossa Igreja durante os seculos. Quando falamos das diferencias da téologia entre os varios sectos e denominações da Cristianidade, uma das diferenças mais grandes é sempre sobre o que é que acontece depois do que nós morremos, mas antes do Julgamento Final. Ainda nas Igrejas Católicas, não há concordância. Os Católicos Romanos tem a sua doutrina do Purgatório, aonde as almas das Cristãs são castigado por suas pecados. Os Ortodoxes diz que não, que o Purgatorio é somente um invenção da Igreja Romana, mas que umas das almas mandado ao Inferno podem ser libertado quando estão punido suficientemente, e assim podem entrar ao Céu. E nos, a Igreja Anglicana, temos pessoas quem creditam numa, e outras noutra, e outras quem nem pensam nestas coisas... e estou falando dos doutores da teologia, nos seminarios! Nós não temos nenhuma doutrina “oficial” sobre este assunto, e talvez é melhor assim.
Entre os Protestantes, é até mais complicado. As Adventistas
pensam que quando morremos, só dormimos até o Fim do Mundo. As Presbiteranos, fundado pelo João Calvin no tempo da Reformação, acham que a maioria dos mortes são predestinado ao Inferno, e irão-lá directamente. As Universalistas acham que ninguem é condenado ao Inferno: que Deus ama nos de tal modo que tudo mundo iremos directamente ao Céu. E há muitas outras versões.
O problema é simples: ninguem que morreu voltou para nos dar uma reportagem, e portanto, não temos todas as detalhas que talvez queremos.
Mas temos a Bíblia Sagrada, escrito por homens com a inspiração da Terceira Pessoa de Deus, o Espírito Santo, e por seguinte, sabemos as coisas mais importantes. Sabemos que Deus amou de tal modo o mundo que deu o seu Filho Unigénito para nos salvar dos nossos pecados, e não somente nos que vivemos desde a Incarnação, mas as almas do todos os defuntos também... sabemos que Jesus Cristo, quando foi crucificado e sofreu morte, desceu ao lugar dos mortos e pregou aos mortos a Boa Nova! Como o São Pedro escreveu no quarto capitulo desta mesma Carta, “Por isso a Boa Nova foi também anunciada aos mortos, para que, depois de terem recebido na sua existência física a sentença comum a todos as homens, eles possam, por meio do Espírito, viver como Deus quer.”[1]
“Deus amou de tal modo o mundo que deu o seu Filho Unigénito para nos salvar.”[2] Sabemos isto do Evangelho de São João. Mas não é tão facíl. João continua, “Quem acreditar nele não é condenado, mas o que não acredita já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus.”[3] Ai! É posível que quer dizer que todos quem nasceu e morreu antes da Incarnação, como os santos do Antigo Testamento, Noé e Moíses, Rei Salomão e o Profeta Isaías e todo o resto, ficariam condenados porque não creram no nome do Filho único, que ainda não nasceu? É posível que quer dizer que todos quem não podiam crer no nome de Jesus Cristo, porque nunca ouviu, ficariam condenados ao Inferno? Isso não parece o Amor de Deus!
Não parece, porque não é. É por isso que a Bíblia Sagrada e a nossa Fé ensina-nós que o Filho Unigênito não só viveu e morreu como um de nos, mas antes da sua ressurreição, nas palavras do Credo dos Apóstolos, “desceu ao lugar dos mortos”. Porque Deus amou de tal modo o mundo enteiro, e não somente as pessoas quem nasceu nas ultimo dois milénios, ou em lugares Cristãs. Todos nós temos, ou teremos, a oportunidade de aceitar, a oportunidade de crer, no nome de Jesus Cristo, porque todos nós que somos criado na semelhança-sua somos amado por Deus.
A oportunidade é importante, claro... mas não é suficiente. Nós temos uma descrição do mundo que há-de vir no Livro de Apocalipse de João, um mundo aonde Deus habitará junto dos homens, e enxugará todas as lágrimas dos seus olhos, e já não haverá mais morte, nem luto, nem dor[4]. Será uma maravilha. Mas... no mesmo Capitulo, São João disse “Nela não entrará nada de indigno[5].”
Ora bem. Creio no nome de Jesus Cristo. Quero ser um bom Cristão. Faço que posso. E... falho. Sou pecador, indigno. E não é muito tranquilizador, saber que não estou sozinho nisso— que todos nós somos pecadoso. “Não há ninguém que seja justo. Ninguém. Não há ninguém que compreenda. Ninguém que procure Deus. Todos andam fora do caminho e todos se perdem[6],” disse S. Paulo na sua Carta aos Romanos. E mais: “Todos pecaram e ficaram longe de Deus[7]”.
Umas das coisas mais importantes para nos durante o tempo da Quaresma é que este tempo pode servir-nós como lembrança—que precisamos de lembrar que não é suficiente crer em Jesus, ou ser membro baptizado da Igreja, ou chegar aqui nos Domingos para participar nos Cultos. Estas coisas são importantes, claro... mas também temos de lembrar as palavras do São João o Divino, falando sobre da Nova Jerusalem, do Reino das Céus. “Nela não entrará nada de indigno”. Não dá só crer: precisamos também de arrepender.
Nas palavras do S. João, «Deus é luz e nele não há nenhuma escuridão. Se dizemos que vivemos unidos a Ele, mas levamos uma vida de escuridão, então mentimos em palavras e acções. Ao contrário, se levamos, tal como Deus, que está na luz, somos solidários uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, purifica-nos de todo o pecado. Se dizemos que não tenho pecados, enganamo-nos a nós próprios e faltamos a verdade. Mas, se confessarmos que somos pecadores, Deus é fiel e bondoso e há-de perdoar os pecados e purificar-nos de todo o mal.[8]»
Muitas vezas, ouvimos que a Quaresma é somente um período de jejum: um tempo em que nós não podemos comer carne ou chocolate, ou qualquer coisa assim. Ora, não posso dizer com certeza, mas não acho que Deus é muito preocupado com a minha sobremesa! Se abstenho do bolo de chocolate, não faço isto por Deus. Faço por mim mesmo, porque cada vez que quero o bolo, ou que a empregada na restaurante pergunta “E para sobremesa?”, serve-me como uma lembrança das razões para o jejum: que estou num tempo de examinar a minha consciência, num tempo de examinar a minha vida Cristã... que estou em Quaresma. E em vez de comer o bolo, talvez posso por o mesmo dinheiro numa caixa, para ser usada na ajuda de famílias carenciadas.
A vida Cristã é uma série dos passos. Eu conheço uns protestantes Americanos quem pensam que é só preciso ser ‘nascido de novo’[9] para ser salvo, mas na nossa Igreja, ensinamos que não é tão simples. Somos nascido de novo em baptismo, mas como o ‘nascimento físico’ é somente a começa das nossas vidas, o baptismo só começa a nossa vida Cristã. Nós temos também de viver vidas Cristãs, de crescer na Fé, de amar o Senhor e o nosso proximo, e quando falhamos (e é verdade que “todos pecaram e ficaram longe de Deus,” que todos nos falhamos!), temos de reconhecer os nossos pecados, de arrepender-se, de confessar os pecados, e, quando é possivel, de remediar a falha. É por isso que temos o Acto Penitencial no Culto, e também temos o serviço de Confessão pessoal, a “Reconciliação do Penitente”, nos Livros de Liturgia Anglicana da maioria das Igrejas da Comunhão Anglicana.
É só assim, com corações contritos, que obtenhamos o perdão de Deus misericordiosíssimo, e que seremos purgados, purificados, da toda a sugeira dos nossos pecados. O que acontece depois da morte, o modo que Deus usa para esta purificação, esta fundição das nossas almas, não me importa: deixo isto para os doutores da teologia. O que importa é isto: só perdoado, só purificado, poderemos entrar ao Reino de Deus, “junto dos espíritos daqueles que já atingiram a perfeição”[10].
A Quaresma é um tempo com muito importância na vida Cristã. Somos chamados à penitência, porque precisamos de ser reconciliado com Deus, e tornado ‘perfeito’ por Deus, se queremos entrar no Reino dos Céus. Não podemos aperfeiçoar-se; se era possível, Jesus Cristo não precisava de morrer por nós e para nossa salvação. A importância da Quaresma é isso: é um tempo dedicado ao arrependimento pessoal, à maior atenção à Palavra do Senhor, e também aos problemas do todos nossos irmãos e irmãs, especialmente neste tempo de crise mundial. Na Quaresma, lembramos também que é impossível ser Cristão sozinho: nos somos o Corpo de Cristo, e a nossa Fé dá-nos uma responsibilidade, um por outro.
A Quaresma é penitencial, mas também esperançoso: sabemos, durante este tempo liturgico de preparação para Semana Santa, que, bem como não podemos chegar à Ressurreição sem passar pela Paixão, também não passamos pela Paixão sem chegar à Ressurreição. Usemos este tempo para examinar as nossas consciencias e arrepender-se dos nossos pecados, para crescer na Fé, para jejum e renúncia, para amar e cuidar os nossos próximos. Preparemos para a Cruz dolorosa, mas também para a Ressurreição gloriosa. E assim, observemos uma santa Quaresma abençoada.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.
[1] I Pedro 4,6
[2] S. João 3,16
[3] S. João 3,18
[4] Apocalipse 21, 3-4
[5] Apocalipse 21, 27
[6] Romanos 3, 10-12
[7] Romanos 3, 23
[8] I João 1, 5-9
[9] S. João 3, 3-6
[10] Hebreus 12, 23

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