10 January 2011

Primeiro Advento, Ano B, 30-11-2008

1° Domingo do Advento, 30.11.08 [Ano B]
Igreja do Salvador do Mundo/VN de Gaia
Cónego Dr. Francisco C. Zanger


«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.

Feliz Ano Novo! Já sei que hoje não é o primeiro dia do mês de Janeiro, mas hoje é o primeiro dia do calendário Eclesiástico, o Ano B, para todos os que usam as Leituras Bíblicas da nossa Igreja Lusitana e de todas as Igrejas Anglicanas.
O calendário Eclesiástico é um pouco diferente nos Estados Unidos; o Evangelho começa com o Versículo 24, em vez do 32, e neste caso prefiro o mais longo porque podemos ouvir estas palavras tão fortes: «Depois daqueles dias de sofrimento, o Sol ficará escuro e a Lua deixará de brilhar. As estrelas cairão e os poderes do céu hão-de estremecer. Hão-de ver então o Filho do Homem aparecer nas nuvens com grande poder e glória. E Ele enviará os anjos para reunirem os escolhidos de um extremo ao outro do mundo.»
Ai - isto é um drama! Tem emoções fortes, emoções de medo, mas também de esperança... porque estes versículos falam do fim do mundo, do fim do universo, do fim da criação inteira-- sem Sol, sem Lua, sem estrelas... de um tempo no qual a único luz vai ser Cristo, em todo o Seu poder. O mundo acabará como começou, na Criação — nas palavras do primeiro capitulo do Evangelho de São João, «Nele estava a vida, e essa vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a venceram.» E como foi no principio, assim será no fim. Jesus, que era mesmo Deus na Criação do universo, que fez-se homem e veio morar, e morrer, no meio de nós, é o mesmo Jesus que voltará em poder, em toda a sua glória e majestade, para o Juízo Final.
E vai ser um Juízo assustador, como ouvimos no Evangelho de Domingo passado, porque cada um de nós vai ser julgado, e por cada vez — cada vez! — que passámos por um mendigo sem lhe dar umas moedas, por cada vez que deixámos um idoso com fome sem lhe dar comida, por cada vez que passámos por qualquer pessoa que precisava de ajuda sem fazermos nada, o Juiz vai dizer : «Saibam também que todas as vezes que deixaram de fazer isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o deixaram de fazer.» Este Juízo Final, que acontecerá no fim do mundo, pode ser mesmo terrível.
Ora bem. Se soubéssemos quando é que Jesus vai voltar, talvez fosse tudo muito mais fácil. Se eu tivesse a certeza de que tinha ainda, oh... mais quinze ou vinte anos de vida, eu podia ‘brincar’ nos primeiros quatro ou cinco anos, e depois passaria o resto do tempo vivendo como um pequeno santo... e rezando e fazendo mais boas acções nos restantes quinze anos do que as más que tinha feito nos primeiros quatro ou cinco.
Isto é mais uma idiotice do que uma ideia, porque não vai dar, de maneira nenhuma. É impossível por três razões. Primeiro, eu já sei que não posso viver quinze anos como “anjinho” — eu, que nem sequer consigo viver quinze minutos como um anjo! Segundo, Jesus, o Rei da Glória e nosso Juiz, não esquecerá os pecados dos primeiros cinco anos, só porque tentei melhorar-me nos últimos quinze! E terceiro — e mais importante — é que sabendo que Cristo voltará, tal não é ainda suficiente. Sabemos que Ele vai aparecer nas nuvens, com todo os Seus anjos e arcanjos, com grande poder e glória, mas sabemos só o como, sem saber o quando, o que não se torna muito útil.
O Rei pode voltar daqui a mais mil anos, ou no ano que vem, ou antes do final deste Culto! E é por isso mesmo que sempre que começamos o Primeiro Domingo do Advento, começamos também o Ano Eclesiástico, assim, olhando para a frente, para o futuro. Quando o mundo secular está a pensar no Natal, nós não estamos a olhar para a chegada de um bebé, mas de um Juiz. O bebé é importante, claro, foi o bebé mais importante na história do mundo — mas quando o Juiz chegar, vai ser o fim deste mundo. Nós sabemos que devemos estar preparados para a chegada, mas é difícil, sem saber quando é que tal vai acontecer. Não somos só nós que não sabemos; nem os anjos do Céu, nem mesmo o Filho, quando Ele esteve cá connosco, sabiam. Depois do Dia da Ascensão, quando voltou para a direita do Pai, soube, claro, mas na altura, nem o Filho, que era verdadeiro Deus mas também verdadeiro homem, soube. Só o Pai Celestial sabia.
E é por isso que precisamos de estar sempre atentos, sempre preparados. Quando Nosso Senhor, depois da Ressurreição, ascendeu ao Céu, Ele deixou a cada o seu encargo de coisas para fazer. Era disso que Jesus falava, quando disse: «É como se um homem tivesse deixado a sua casa, partindo para uma viagem. Entregou a administração dos seus bens aos empregados, ficando cada um com o seu encargo, e deu ordens ao porteiro para que vigiasse. Estejam, portanto, vigilantes, porque não se sabe quando voltará o dono da casa.».
O dono da casa é Jesus Cristo, claro, que “deixou a casa” quando subiu aos céus para se sentar mais uma vez à direita do Pai. Nós, que somos Cristãos, somos os empregados que Ele deixou para administrar os seus bens aqui na terra, cada um de nós com o seu próprio encargo... mas os encargos são todos semelhantes. Até podemos dizer que são somente quatro, e são todos bem familiares.
O primeiro é este : ‘Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todo o teu entendimento. Este é o primeiro e mais importante dos mandamentos’.
O segundo, tão importante como ele é: ‘ama o teu próximo como a ti mesmo’. Tão importante, sim, mas fácil, não. Quando Jesus disse o “teu próximo”, Ele não estava a falar da pessoa sentada ao seu lado, aqui na igreja. Tal seria fácil de mais. Não, para entender Jesus quando Ele disse o “teu próximo”, temos de lembrar a parábola, a comparação do ‘samaritano de bom coração’ no décimo capitulo do Evangelho de São Lucas, e também lembrar o Evangelho da semana passada, do vigésimo quinto capítulo do Evangelho de São Mateus. O ‘nosso próximo’ é todo o mundo! O ‘nosso próximo’ é cada um “destes meus irmãos mais pequeninos”, criado à imagem de Deus.
O terceiro encargo é a Grande Comissão, dada por Jesus minutos antes da sua Ascensão — «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.». Isto não pode ser interpretado literalmente, claro — qual de nós consegue ir por todo o mundo? É um mandamento para toda a Igreja, e não para pessoas individuais. Mas como membros da Igreja una, santa, católica e apostólica, precisamos sempre de recordar que não somos somente membros nem do Salvador do Mundo nem da Igreja Lusitana mas do Corpo do Cristo mundial, e de lembrar que ainda há um quarto da população mundial que nunca ouviu falar sequer do nome de Jesus Cristo. O que é que nós podemos fazer para ajudar a Igreja no trabalho de Evangelização?
É importante, pensar nestas coisas. É importante, porque, quando o dono deixou a sua casa, ele entregou-nos, a nós, seus empregados, a administração dos seus bens — as vidas e as almas do Seu povo. Quando Jesus foi levado ao Céu e voltou ao Seu lugar à direita de Deus, deixou para nós, a Igreja, estes encargos tão importantes. Deixou estes três, e também um quarto — estejam vigilantes!
Não sabemos quando Nosso Senhor voltará. Os primeiros Cristãos, na época de São Paulo, achavam que seria durante as suas próprias vidas. Mais tarde, outros pensavam que Jesus regressaria no final do primeiro milénio, e mais tarde ainda, outros no fim do segundo, e estavam todos errados. Ninguém sabe quando Jesus voltará, e é por isso que precisamos de estar sempre bem atentos, sempre vigilantes.
Mas... também podemos dizer que... tal não é o mais importante. Não será tão importante, se nós vivermos as nossas vidas fazendo as coisas que Ele mandou. Se todos amarmos o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, e com todo o nosso entendimento, e se amarmos os nossos próximos; se todos ajudarmos a Igreja a crescer conforme as possibilidades de cada um... e se tudo isto for feito não pelo medo do Inferno mas por amor a Deus que tanto deu por nós, ainda podemos estar vigilantes — mas, porque amamos o ‘dono da casa”, e queremos que Ele voltará!
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.

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