26 April 2009

Sermão: 2o Domingo Depois da Páscoa, 19.04.09 [Ano B]

2o Domingo Depois da Páscoa, 19.04.09 [Ano B]
Igreja de S. João Evangelista/ Torne, V.N. de Gaia
Cónego Dr. Francisco Carlos Zanger

«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.
Aleluia, Cristo ressuscitou!
Na verdade ressuscitou. Aleluia!
Os dois que encontraram o Senhor no caminho de Emaús voltaram imediatamente para Jerusalém, onde estavam os apóstolos reunidos com outros companheiros, na sala com as portas fechadas, com medo das autoridades[1]. E os apóstolos e os outros diziam-lhes: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente, e apareceu a Simão!”
Cleófas (que talvez fosse o cunhado da Virgem Maria[2]) e o outro discípulo, ambos vindos de Emaús, contaram o que lhes havia acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Cristo ao partir do pão. Enquanto ainda falavam desse encontro, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Espantados e cheios de medo, pensaram estar a ver um fantasma. Mesmo aqueles que diziam que o Senhor tinha ressuscitado e que tinha aparecido a Simão... e mesmo aqueles que tinham acabado de ouvir o encontro dos dois discípulos com Jesus no caminho de Emaús... quando Ele apareceu mesmo em frente deles, não acreditaram. Acharam que era um espírito, e ficaram cheios de temor.
Jesus precisou de lhes dizer: “Olhem para as minhas mãos e os meus pés! Sou eu mesmo! Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.’ Mas eles ficaram ainda assim tão assombrados que Jesus perguntou: “Têm aqui alguma coisa para comer?”, e tomou e comeu um pedaço de peixe assado em frente deles, para eles entenderem que não era um fantasma.
E só depois de tudo isso, Jesus pode falar aos seus discípulos sobre tudo o que aconteceu: que, de acordo com tudo o que estava escrito nas Escrituras, Cristo, tinha de morrer, e ao terceiro dia ressuscitar dos mortos, e que em seu Nome se havia de pregar a mensagem sobre o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando em Jerusalém. “São vocês as testemunhas destas coisas.”
Se Ele não fosse Deus, acho que precisávamos de ter pena de Nosso Senhor... dado que eram estes medrosos que iriam ser “as testemunhas destas coisas”? Estes que já sabiam da Ressurreição, e que mesmo assim tiveram tanto medo de um “fantasma” que era Jesus? Estes que nem podiam sair da sala, com medo das autoridades?
Mas Jesus Cristo foi, e é, o nosso Deus, e sabia mais do que eles podiam fazer com a ajuda do Espírito Santo do que por eles mesmos. Na Leitura dos Actos dos Apóstolos de hoje, foi S. Pedro (o mesmo Pedro que negou Jesus, seu Mestre, seu amigo, três vezes antes do segundo canto do galo por causa do seu medo ) que pregou com tanta força, tanta coragem, no Templo, dizendo aos Israelitas: “O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob, o Deus dos nossos pais glorificou o seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este tinha resolvido soltá-lo. Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida! Matastes o Príncipe da vida, mas Deus ressuscitou-o dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.” “..renegastes o Santo e Justo...” “Matastes o Príncipe da vida...” Onde é que Simão Pedro, ele que foi tão teimoso, que negou o seu Senhor, que ficou escondido na sala do andar de cima durante a Crucificação e depois... onde é que ele ganhou tanta coragem?
Não ganhou; foi dada. Foi dada pelo Espírito Santo.
E Pedro e S. João, os dois apóstolos que iam subindo ao templo juntos e curaram o mendigo, o homem que era coxo de nascença, que sofreu preso e passou a noite na cadeia (e não foi a última vez!). E eles tiveram a coragem de defender a sua fé em Jesus Cristo em frente das mesmas autoridades judaicas que, anteriormente, tinham levado Jesus aos Romanos para ser crucificado. Coragem dada pelo Espírito para a propagação da Fé.
O Livro de Actos dos Apóstolos é a historia do começo desta propagação. A nossa Igreja começou com somente umas 120 pessoas[3], os onze Apóstolos, as três Marias: a Virgem Maria e a outra Maria, irmã dela e mulher de Cleófas, que foi mãe do S. Tiago e S. José[4], e Maria Madalena, Salomé[5], Joana[6], e ainda outras mulheres e homens que seguiram Jesus durante a sua vida, e até ao fim. E foram as mulheres que ficaram com Jesus mesmo até ao fim nos Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas: talvez porque fosse mais perigoso para os homens, e só no Evangelho de S. João nos aparece um dos Apóstolos, o que Jesus amava, ao pé da Cruz com Maria, a mãe de Jesus[7].
E a partir destes 120 crentes, a Igreja cresceu, primeiro em Jerusalém, e em pouco tempo em todos os lugares do Império Romano. Dezenas, e depois centenas, e depois milhares de pessoas foram convertidas, apesar das perseguições, feitas, primeiro pelos Judeus[8], e depois pelo Império Romano[9].
E cresceu por todo o lado mesmo! Este grupo tão diminuto, tão pobrezinho, que era uma minoria impopular numa província pequenina e pobre, sem importância num Império imenso, cresceu tão rapidamente que só foi possível graças ao poder do Espírito. Numa altura em que não havia aviões, carros, ou comboios, setenta tal anos depois da Ressurreição, já havia comunidades de cristãos em cidades que agora são partes do Egipto e Síria, Jordão e Turquia, Grécia e Macedónia, e até em Roma. O Cristianismo foi pregado não só pelos missionários oficiais, como S. Paulo, mas também pelos comerciantes que eram crentes, que, animados pela sua nova Fé, evangelizaram outros quando viajavam para vender os seus produtos.
A mensagem redentora de Jesus Cristo obteve enorme sucesso entre as pessoas mais excluídas numa sociedade tão hierárquica, entre mulheres e pobres, e escravos, porque deu uma nova esperança[10]. Como todas as coisas fora da norma, esta nova crença pareceu perigosa para a estabilidade do Império. As perseguições oficiais dos cristãos pelos Romanos começaram bem cedo; a primeira foi local, somente em Roma, com o Imperador Nero no ano 64, mas as perseguições dos outros Imperadores, até a última de Dioclesiano, entre os anos 284 e 312, foram no Império inteiro.
Durante os primeiros séculos, antes do Cristianismo se ter tornado a religião do Império no Ano 313, ninguém sabe quantos milhares de cristãos foram martirizados. E a coisa mais incrível? A maioria podia-se ter salvo! Para os Romanos, o problema com os Cristãos não era o facto de eles crerem em Jesus Cristo como Deus: o problema era que eles criam em Jesus Cristo como sendo o único Deus. O Império não tinham problema nenhum com a sua multidão de povos com as suas multidões de deuses. Mas... num Império com tantas culturas, tantos povos diferentes, a veneração da deusa ‘Roma’ e do Imperador foi o “colo” que o manteve unido. Então, todo o mundo no Império inteiro, (menos os Judeus na Província da Palestina, que tinham permissão especial de ficar monoteístas) precisava de queimar o incenso no altar Romano.
E os Cristãos, crescendo como ervas daninhas por todos os lados, recusavam-se a cultuar a deusa ‘Roma’, e a aceitar a divinização dos imperadores. E por esta falta de fidelidade ao Império, precisavam de morrer.
Mas muitas vezes, bastava-lhes queimar um pouco de incenso, uma vez... sem abandonar a sua religião tão estranha (que até dava a impressão de canibalismo, com eles falando sobre o comer o corpo e beber o sangue deste “Jesus)... mas não. Eles preferiam morrer, torturados, comidos por animais selvagens, ou queimados vivos, do que venerar qualquer outro deus.
Como é que eles podiam ter tanta coragem: antes morrer do que venerar o deus do Império? Porque sabiam que, para um Cristão fiel, a morte não é o fim. Sabiam que a morte foi tragada pela vitória, pela Ressurreição de Jesus Cristo.
Mas tudo isso foi nos primeiros três séculos... o que é que tudo isso significa para nós, hoje?
Significa isso: que nada mudou nestes dois mil anos. Para nós que somos Cristãos, membros da Igreja una, santa, católica e apostólica, a responsabilidade de ser fiel, de defender a nossa Fé, é a mesma. Durante séculos, os Cristãos tiveram a oportunidade de escolher entre a Fé e a segurança. Posso falar sobre milhares destes cristãos, mas não quero pregar durante três ou quatro horas: vou mencionar apenas alguns.
S. Tomás Becket, o Arcebispo de Cantuária, disputou sobre os direitos da Igreja com o Rei Henrique II de Inglaterra. Beckett, antes de ser consagrado, foi Chanceler e amigo do Rei, mas após a sua eleição, como Arcebispo em 1162, foi coerente e sério com o seu cargo: mudou para uma vida ascética e monástica, e começou a resistir vigorosamente às violações das liberdades eclesiásticas por parte do monarca. E quatro dos cavaleiros do Rei mataram o Arcebispo em 1170, na sua própria catedral. As suas últimas palavras foram: “Em Nome de Jesus e da protecção da sua Igreja, estou pronto a abraçar a morte.”[11] Ainda agora, há um altar no local aonde Beckett morreu, e o Arcebispo de Cantuária, nosso metropolita, celebra lá a Eucaristia.
Se Beckett foi martirizado às ordens de um Rei, um outro mártir, também Anglicano, foi curiosamente um Rei de Inglaterra. O Rei Carlos Primeiro, foi martirizado em 1649, pelo governo Puritano. O Rei tinha de escolher: ou renunciar à Sucessão Apostólica e ao Livro de Oração Comum (a Liturgia Anglicana), ou eles matavam-no. Ele recusou, e disse que seria melhor morrer do que abandonar a Fé una, santa, católica e apostólica. Foi degolado no dia 30 Janeiro de 1649[12].
E também há mártires modernos. Nos Estados Unidos, o Pastor Martin Luther King dedicou a sua vida à luta não-violenta pela justiça e direitos civis, não só para os negros mas para todos, e sempre com uma perspectiva Bíblica: que a coisa mais importante é o que Deus reclama de nós: “que pratiques justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”[13].
Ele sabia-se odiado pelos racistas, mas a sua coragem, baseada na sua fé, nunca falhou. Como ele disse: “Se não estás pronto a morrer por alguma coisa, não estás pronto para viver.”[14] E pouco mais tarde, foi assassinado.
O King, apesar de ser um pastor Baptista, é um dos santos oficias da Igreja Episcopal, da Igreja Anglicana nos Estados Unidos. A sua festa é celebrada a 4 de Abril, o dia em que ele foi martirizado em 1968.
Nem todos os que arriscavam morreram, claro. O importante não é ser-se mártir, mas viver a fé, conhecendo os riscos mas não os deixando impedir-nos. Vou acabar com minha listinha dos santos com dois portugueses, e no caso do primeiro, nem sei se foi Cristão. Hoje é dia 26 de Abril: talvez se o Domingo tivesse calhado no dia 25, poderiamos cantar a “Grândola” em vez de um dos hinos. Uma coincidência... o dia do calendário da Igreja Episcopal para lembrar o Doutor King é 4 de Abril, que também é o dia no qual um português famoso morreu. A 4 de Abril, 1992, com sómente 48 anos, morreu o Capitão Fernando José Salgueiro Maia. Eu não sei se Salgueiro Maia foi crente... mas sei que tinha coragem. Foi ele que avançou a pé e sozinho na Rua do Arsenal, de braços erguidos e agitando um lenço branco, em direcção aos blindados das forças fiéis à ditadura. Para seu bem e de todos nós, os soldados não obedeceram às ordens de fogo dadas pelo seu brigadeiro. Salgueiro Maia sabia que podia morrer na madrugada de 25 de Abril, mas ainda fez o que precisava sem ceder por medo[15].
Mas a semana passada, eu aprendi sobre a vida de outro dos heróis da fé, um que é muito desconhecido até no seu próprio pais: uma amiga deu-me um livro português[16] sobre o Aristides de Sousa Mendes, que foi o Cônsul de Portugal em Bordéus, França em 1939 e 1940. Em Novembro de 1939, quando os Nazis já começavam a sua “Solução Final” para matar os Judeus, o Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu a “Circular 14”, instruções rígidas para não dar vistos aos refugiados que tinham o perigo: judeus, antifascistas e os “apátridas”. Sousa Mendes, um diplomata profissional de muitos anos, não podia aceitar tal: achava que isso era racista e atroz.
No dia 10 de Maio, 1940, os Nazis começaram a invasão da França. Em Junho, Bordéus foi inundada por setecentos mil refugiados, incluindo muitos judeus. Sousa Mendes sabia que a Constituição de 1933 tinha a garantia que «em nenhuma circunstância a religião ou as convicções políticas de um estrangeiro o impedem de procurar refúgio no território português», o contrário da “Circular 14”. O cônsul foi um Cristão, um Católico, e necessitou de tomar uma decisão.
Ele passou três dias em retiro. Quando saiu a 16 de Junho, anunciou que tinha decidido salvar todos aqueles e aquelas que pudesse salvar das feras Nazis, no tempo que ainda lhe restava.
Entre 17 e 19 de Junho, trabalhando dia e noite, ele deu vistos a todos os que queriam : talvez 50 ­mil ou mais, em desobediência às ordens do Dr. Salazar. Só parou, na noite de 19, quando a cidade foi bombardeada pelos Nazis. Ninguém sabe os números exactos, mas é praticamente certo que 30 mil refugiados, incluindo 10 mil judeus, tenham conseguido entrar em Portugal, só por causa deste Cristão.
O Dr. Salazar ficou furioso. Sousa Mendes foi escorraçado do corpo diplomático sem qualquer reforma, e a PIDE assegurou-se de que ele nunca mais trabalharia; os seus filhos tiveram de emigrar para achar trabalho. Ele perdeu a fé na Igreja Católica Romana, mas nunca perdeu a sua fé Cristã, e meses antes do seu falecimento, tinha sempre As Confissões de Santo Agostinho à cabeceira. No ano de 1958, morreu em pobreza total, no Hospital da Ordem Terceira, um hospital Franciscano em Lisboa, e nem dinheiro para o fato tinha ... foi sepultado numa mortalha do hospital, uma mortalha franciscana, da Ordem do santo pacifico dos pobres.
Ele foi um desconhecido em Portugal: muitos ainda não o conhecem. Depois da guerra, quando o mundo inteiro soube do Holocausto, ele que tinha salvo tantos milhares não foi considerado um herói pelo governo. Não foi, até 1976, dois anos depois dos ‘Cravos’, altura em que o primeiro artigo sobre ele, que arriscou tudo e foi tão castigado, foi finalmente publicado em Portugal[17].
Aristides de Sousa Mendes também não pensem que era um herói... mas era sim um Cristão.
Rabino Chaim Kruger, um judeu a quem ele ajudou, escreveu: “Ele disse-nos que tinha sido expulso das suas funções por causa de todo este incidente, no entanto, sentia-se com grande satisfação, porque se milhares de judeus tinham sofrido por causa dum católico, então valia a pena que um católico sofresse por todos aqueles judeus. E ele aceitou tudo isto que lhe estava a acontecer com amor.”[18]
Acho que é triste, que este modelo de Fé português não seja mais e melhor conhecido, quer em Portugal quer no mundo inteiro. É irónico, que Oskar Schindler (do filme A Lista de Schindler), seja tão famoso porque salvou talvez 1.200 pessoas, enquanto o desconhecido Sousa Mendes salvou 30.000 pessoas .
Num mundo aonde é tão fácil nada dar, de só fazer o mínimo que é preciso, de obedecer aos superiores, de não fazer barulhos... temos aqui um homem que pode ser um modelo para as nossas crianças, para nós mesmos... e ninguém conhece a sua história!
Neste mundo, com todos os seus problemas, é nos dada a oportunidade de defender os fundamentos e valores Cristãos, de trabalhar por um mundo de justiça e de amizade para todos. Sabemos que podemos ter um preço a pagar: que uns Cristãos têm de sacrificar as suas vidas, outros a sua saúde, e outros as suas riquezas e segurança. Outros têm de sacrificar nada mais do que um pouco tempo.
Estamos agora no tempo de Páscoa, quando nos é dado saber que qualquer preço que precisamos de pagar neste mundo vai ser somente temporário, por causa do grande preço que Jesus já pagou por todos nós sobre a Cruz. Mesmo a morte é apenas temporária agora, desde a Ressurreição.
A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Aleluia, Cristo ressuscitou!
Na verdade ressuscitou. Aleluia!

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.

Notas:



[1] S. João 20,19
[2] S. João 19, 25
[3] Actos 2,15
[4] Actos 2, 14; S. Mateus 27,56; S. Marcos 6,3 e 15,47; S. João 19, 25, e no Actos 2, 14-15, os onze Discípulos, a mãe de Jesus, e “os irmãos de Jesus” foram 120 irmãos! No Médio Oriente, na altura e também ainda na Palestina, a palavra “irmão” significava qualquer homem da família ou da clã.
[5] S. Marcos 15,40
[6] S. Lucas 24,10
[7] S. João 19,26último
[8] Actos 5, 17-18; 7, 54-60; 8, 1-3
[9] http://br.geocities.com/momentoscomjesuss/historia1/perseguicao.htm
[10][10] http://educacao.uol.com.br/historia/roma-cristianismo.jhtm
[11] Dicionário da Idade Média, por Henry Loyn, Traduzido por Alvaro Cabral, Edição de Jorge Zahar Editor Ltda, 1990
[12]http://www.skcm.org/SCharles/History/history_Charles.html
[13] Miqueias 6,8
[14] http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/martin.htm
[15] Notícias Magazine (suplemento do Díario de Notícias de 19.04.2009); www.vidaslusofonas.pt/salgueiro_maia.htm
[16] Aristides de Sousa Mendes: Um Justo Contra a Corrente, por Miriam Assor, 2009 (todas as notas com um ‘*’ vem deste livro)
[17] Diário Popular, 4 Maio 1976*
[18] Carta enviada ao Museu Yad Vashem, 23, May 1967*

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