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13 May 2009

Domingo do Bom Pastor: 3o Domingo depois da Páscoa, 03.05.09 [Ano B]

3o Domingo depois da Páscoa, 03.05.09 [Ano B]
Igreja do Salvador do Mundo, V.N. de Gaia
Cónego Dr. Francisco Carlos Zanger


«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.

Aleluia, Cristo ressuscitou!
Na verdade ressuscitou. Aleluia!
Hoje é o Domingo do Bom Pastor, e no Evangelho, Jesus Cristo é o Bom Pastor, e nós somos as ovelhas. Quando Jesus falou ao povo sobre o Bom Pastor, Ele já estava no Templo na cidade de Jerusalém. Durante diversos dias, Ele ensinou no Templo correndo perigo, porque muitas vezes as autoridades Judaicas não gostavam dos seus ensinamentos, e mais de que uma vez, pegaram em pedras para o apedrejar[i], mas Ele esquivou-se das suas mãos. Entretanto e ao mesmo tempo, muitos outros acreditaram n’Ele[ii].
Há muitas diferenças entre o Evangelho de S. João, que é datado entre os anos 85 e 95, e os outros três Evangelhos, os Evangelhos sinópticos, o de Marcos (o mais antigo), Mateus e Lucas. As diferenças existem, porque os Evangelistas estavam a escrever para comunidades diferentes, e cada um dos Evangelistas escolheu a informação e as histórias, mais importantes, para a fé da sua comunidade: como S. João, que morreu idoso na cidade de Éfeso e escreveu nas últimas palavras do seu Evangelho: «Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever[iii].» É por isso, por exemplo, que quando os três Evangelistas ‘sinópticos’ escrevem a história da Última Ceia, eles deram toda a ênfase à instituição do Culto Eucarístico, e a ênfase de S. João é sobre o que aconteceu antes da Ceia, quando Jesus lavou os pés dos discípulos.
Para S. João, a visão de Jesus, (o mesmo Jesus que era verdadeiro homem mas também verdadeiro Deus, por quem, na Criação do Universo, tudo foi feito, e sem ele nada foi feito[iv]), ajoelhado em frente dos seus discípulos antes da refeição, lavando os seus pés sujos... este Jesus tão cuidadoso, não é muito diferente do mesmo Jesus enquanto o Bom Pastor, o pastor que expõe e dá a sua vida pelas ovelhas.
O Profeta Ezequiel deu-nos um oráculo sobre Jesus como o Bom Pastor: «Eis o que tenho para vos declarar, eu, o Senhor Deus: vou tomar eu próprio o cuidado das minhas ovelhas, velarei por elas. Como o pastor se inquieta por causa do seu rebanho, quando se encontrou no meio das suas ovelhas tresmalhadas, assim eu me inquietarei por causa do meu; hei-de libertá-las de todos os lugares por onde se espalharam num dia de nuvens e de trevas...[v]
Talvez nos pareça a nós, que vivemos quase dois mil anos depois, que não há muito diferença entre um Evangelho escrito aproximadamente no Ano 65, como o de S. Marcos, que é o mais antigo dos quatro, e um outro que foi escrito no Ano 75 ou 80. Mas na verdade, há uma grande diferença: antes do Ano 70, os judeus em Jerusalém viviam com medo dos Romanos. As autoridades judaicas sabiam que, se houvesse alguma coisa que podia ameaçar o Império (como este “Jesus”, este “profeta” duma aldeia qualquer no campo, que pensava que era um rei), as Legiões Romanas poderiam matar milhares de pessoas.
Depois do Ano 70, já estava feito. O Templo foi destruído pelos Romanos, e os judeus que sobreviveram foram exilados, e não puderam regressar a Israel até ao ano de 1948.
Ora bem. Na altura em que S. João Evangelista, (que nós pensamos que seja o discípulo que Jesus amava e que esteve ao pé da Cruz com a Virgem Maria[vi],) escreveu o seu evangelho, o Templo já tinha sido destruído, e o povo judeu, disperso em várias direcções, como ovelhas sem pastor. João estava a escrever sobre um tempo quase trinta e cinco anos antes da destruição do Templo e da diáspora dos judeus, um tempo de grande confusão e assustador para as autoridades judaicas.
Por um lado, eles eram os líderes do povo escolhido por Deus, viviam na Terra Santa, na cidade santa de Jerusalém, e eram as autoridades do Templo de David e Salomão. Mas por outro lado, eles também estavam sob o domínio das autoridades do Império Romano, e sabiam bem que viviam tempos perigosos: que viviam em cima de um barril de pólvora, e que se houvesse uma explosão, não seriam os Romanos a ficar feridos. Eles sabiam que tinham de fazer sempre equilibrismo, entre os judeus religiosos que odiavam os Romanos, e os Romanos que podiam aniquilar Israel com seu exército que era o maior do mundo. Estavam mesmo na corda bamba!
Era por isso que eles tinham tanto medo de Jesus. Eles pensavam que o Príncipe da Paz que pregava o amor podia desencadear uma guerra. Quando ouviram falar da ressurreição de Lázaro por Jesus, então, os chefes dos sacerdotes e alguns fariseus convocaram o conselho, e disseram, “Que faremos? Este homem multiplica os milagres. Se o deixarmos continuar assim, todos crerão nele, e os Romanos virão e destroem-nos o Templo e a nação!” E Caifás, que era o sumo-sacerdote naquele ano, disse: “Não vêem que é melhor que morra um só homem pelo povo, do que toda a nação ser destruída?”. Mas até ele não sabia o que dizia: Deus usou-o para afirmar que Jesus devia morrer para salvar o povo, e não apenas o povo judaico, mas o povo do mundo inteiro.
Infelizmente, Caifás tinha razão. Trinta e sete anos mais tarde, no ano 70, os Romanos arrasaram completamente a cidade de Jerusalém, destruiram o Templo, e assassinaram ou venderam como escravos a grande maioria dos seus habitantes. Os judeus, e a nova comunidade dos Cristãos que sobreviveram, foram dispersos por todo o lado.
Quando um lobo ou um leão ameaça o rebanho, as ovelhas dispersam, correndo para cá, correndo para lá, sem direcção, sem objectivo... e sem esperança, porque o lobo ou o leão sempre podem correr com mais velocidade.
E as pobres ovelhas: o lobo horrível, o leão ainda mais terrível, eram o governo em si mesmo. Quanto mais a Igreja crescia, mais feroz ficava o leão. Foi somente a sua fé em Jesus Cristo e no mundo que há-de vir, que lhes deu a coragem de manterem-se firmes na Fé Cristã. Como S. Pedro escreveu na sua Carta aos cristãos do norte da Ásia Menor que estava a ser perseguida : «Sejam prudentes e estejam alerta, pois o vosso inimigo, o Diabo, anda em volta de vocês, como um leão a rugir, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé.[vii]»
E a Igreja cresceu, mesmo. A mensagem redentora de Jesus Cristo obteve enorme sucesso entre as pessoas mais excluídas numa sociedade tão hierarquizada, entre mulheres e pobres, e escravos, porque deu uma nova esperança[viii]. Por causa disso, a nova crença pareceu perigosa para a estabilidade do Império. As perseguições oficiais dos cristãos pelos Romanos começaram bem cedo; as primeiras foram locais, especialmente em Roma, com o Imperador Nero no ano 64, mas as perseguições provocadas pelos outros Imperadores tiveram lugar no Império inteiro.
O Cristianismo foi uma das religiões legalizadas no ano de 313 pelo Édito de Milão do Imperador Constantino (ele que foi baptizado no seu leito de morte!)[ix], mas ninguém sabe quantos milhares de cristãos foram martirizados antes. Na altura de Constantino, o Império ainda não era Cristão: a maioria das pessoas ainda eram pagãs. Só no ano 381 é que o Cristianismo foi declarado como a religião do Estado[x].
Mas nos três séculos antes, nas novas comunidades no Império Romano (e a fé cresceu em todos lados do Império, nas cidades do Egipto até Itália, e talvez até à Ibéria!), as ‘ovelhas’ das primeiras comunidades Cristãs, no tempo das perseguições, tinham vidas difíceis. É por isso que o exemplo de Nosso Senhor como o Bom Pastor, que cuida das suas ovelhas, que conhece cada uma pelo nome, bem como as ovelhas o conhecem a Ele, é tão importante. O Bom Pastor que deu a sua vida pelas suas ovelhas foi o modelo para os Apóstolos e para os primeiros bispos da Igreja que foram designados e consagrados pelos Apóstolos como pastores do rebanho que é a Igreja.
E tal como Jesus deu a sua vida por nós, também muitos dos Apóstolos foram martirizados: na tradição da Igreja, somente S. João teve uma morte natural. Sucedeu o mesmo com os bispos, e mais tarde com os presbíteros, que se lhes seguiram : umas das nossas fontes mais seguras sobre a Igreja Antiga é a colecção das cartas de S. Inácio, o Bispo de Antioquia, que foi devorado por feras no Coliseu Romano no ano 107. A tradição é que ele estudou aos pés de São João em Éfeso, e foi consagrado bispo por S. Pedro. Nas suas sete cartas que foram escritas durante a viagem a Roma para ser martirizado, ele escreveu sobre a doutrina da nova Igreja Cristã (foi a primeira pessoa que usou a frase ‘Igreja católica’ para a fé universal), especialmente sobre os bispos e a Sucessão Apostólica: na sua Carta aos Esmirnianos ele disse : “«Segui todos ao bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbítero como aos apóstolos; respeitai os diáconos como à lei de Deus. Sem o bispo, ninguém faça nada do que diz respeito à Igreja... Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja católica[xi]», .
Mas o mais importante não foi o facto de ele ter sido um grande teólogo, ou que tenha sido martirizado corajosamente. Não, o mais importante é que ele foi um pastor. Ele amou o seu povo; cuidou das suas ovelhas. No tempo da perseguição do Imperador Trajan, ele mesmo foi preso, passando o tempo a encorajar os membros da Igreja a serem fortes e fieis. Ele queria que eles se lembrassem sempre que, para um Cristão, a morte não é o fim. Ele nunca esqueceu, e nunca deixou as suas ovelhas esquecerem, que desde a Ressurreição de Jesus Cristo, pode-se matar o corpo mas não a alma, e que o amor de Deus é maior do que as coisas mais horríveis que este mundo pode fazer. Ele pode ser o pastor para as suas ovelhas, porque nunca esqueceu o amor do seu próprio Pastor, o amor de Jesus Cristo.
E agora, quase dois mil anos depois, ainda vivemos em tempos difíceis. Ninguém aqui na Europa precisa de ter medo de vir a ser martirizado pela sua fé: os nossos governos nem pensam na fé. Mas precisamos ainda de um pastor. Vivemos num tempo de crise, de desemprego, de famílias que não podem por pão na mesa. Vivemos com todos os problemas do ser humano: de doença e envelhecimento, de dor e solidão. Vivemos numa cultura que não respeita a família, e num tempo em que as famílias têm de separar-se para achar trabalho. Vivemos num tempo que nos deixa como um rebanho disperso, e com falta de pastores.
Na nossa própria Igreja há uma falta grande de pastores …. Aqui no Norte o Rev. Telmo teve de reformar-se, e no Arciprestado do Sul, o Cónego Carlo Aluigi também se vai reformar por causa da saúde e da idade, e não há ninguém para tomar os seus lugares. Nós precisamos de pastores, para cuidar das ovelhas. Todos nós precisamos de um pastor, que conheça o que precisamos, que nos ame, e que nos chame pelos nossos nomes.
Oremos:
Pai celestial, Tu confiaste à tua Igreja a participação no ministério do teu Filho, nosso Sumo-Sacerdote; através do teu Espírito Santo, chama muitos ao ministério ordenado da tua Igreja; abençoa aqueles chamados a ser diáconos, presbíteros e bispos, e a todos, inspira a resposta à tua chamada. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Ámen.[xii]
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.
[i] S. João 8,59; 10,31
[ii] S. João 10,42
[iii] S. João 21, 25
[iv] S. João 1, 3
[v] Ezequiel 34, 11-12
[vi] Bíblia Sagrada, Tradução interconfessional, p.104
[vii] 1 S. Pedro 5, 8-9
[viii] http://educacao.uol.com.br/historia/roma-cristianismo.jhtm
[ix] http://arqueo.org
[x] http://www.christianhistorytimeline.com/lives_events/centuries/pcnt04.shtml (em português)
[xi] http://www.veritatis.com.br/article/106
[xii] Liturgia da Igreja Lusitana, p. 227

26 April 2009

Sermão: 2o Domingo Depois da Páscoa, 19.04.09 [Ano B]

2o Domingo Depois da Páscoa, 19.04.09 [Ano B]
Igreja de S. João Evangelista/ Torne, V.N. de Gaia
Cónego Dr. Francisco Carlos Zanger

«Que as palavras da minha boca e a meditação dos nossos corações, sejam agradáveis perante Ti Senhor, nossa Rocha e nosso Redentor; em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Ámen.
Aleluia, Cristo ressuscitou!
Na verdade ressuscitou. Aleluia!
Os dois que encontraram o Senhor no caminho de Emaús voltaram imediatamente para Jerusalém, onde estavam os apóstolos reunidos com outros companheiros, na sala com as portas fechadas, com medo das autoridades[1]. E os apóstolos e os outros diziam-lhes: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente, e apareceu a Simão!”
Cleófas (que talvez fosse o cunhado da Virgem Maria[2]) e o outro discípulo, ambos vindos de Emaús, contaram o que lhes havia acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Cristo ao partir do pão. Enquanto ainda falavam desse encontro, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Espantados e cheios de medo, pensaram estar a ver um fantasma. Mesmo aqueles que diziam que o Senhor tinha ressuscitado e que tinha aparecido a Simão... e mesmo aqueles que tinham acabado de ouvir o encontro dos dois discípulos com Jesus no caminho de Emaús... quando Ele apareceu mesmo em frente deles, não acreditaram. Acharam que era um espírito, e ficaram cheios de temor.
Jesus precisou de lhes dizer: “Olhem para as minhas mãos e os meus pés! Sou eu mesmo! Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.’ Mas eles ficaram ainda assim tão assombrados que Jesus perguntou: “Têm aqui alguma coisa para comer?”, e tomou e comeu um pedaço de peixe assado em frente deles, para eles entenderem que não era um fantasma.
E só depois de tudo isso, Jesus pode falar aos seus discípulos sobre tudo o que aconteceu: que, de acordo com tudo o que estava escrito nas Escrituras, Cristo, tinha de morrer, e ao terceiro dia ressuscitar dos mortos, e que em seu Nome se havia de pregar a mensagem sobre o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando em Jerusalém. “São vocês as testemunhas destas coisas.”
Se Ele não fosse Deus, acho que precisávamos de ter pena de Nosso Senhor... dado que eram estes medrosos que iriam ser “as testemunhas destas coisas”? Estes que já sabiam da Ressurreição, e que mesmo assim tiveram tanto medo de um “fantasma” que era Jesus? Estes que nem podiam sair da sala, com medo das autoridades?
Mas Jesus Cristo foi, e é, o nosso Deus, e sabia mais do que eles podiam fazer com a ajuda do Espírito Santo do que por eles mesmos. Na Leitura dos Actos dos Apóstolos de hoje, foi S. Pedro (o mesmo Pedro que negou Jesus, seu Mestre, seu amigo, três vezes antes do segundo canto do galo por causa do seu medo ) que pregou com tanta força, tanta coragem, no Templo, dizendo aos Israelitas: “O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob, o Deus dos nossos pais glorificou o seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este tinha resolvido soltá-lo. Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida! Matastes o Príncipe da vida, mas Deus ressuscitou-o dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.” “..renegastes o Santo e Justo...” “Matastes o Príncipe da vida...” Onde é que Simão Pedro, ele que foi tão teimoso, que negou o seu Senhor, que ficou escondido na sala do andar de cima durante a Crucificação e depois... onde é que ele ganhou tanta coragem?
Não ganhou; foi dada. Foi dada pelo Espírito Santo.
E Pedro e S. João, os dois apóstolos que iam subindo ao templo juntos e curaram o mendigo, o homem que era coxo de nascença, que sofreu preso e passou a noite na cadeia (e não foi a última vez!). E eles tiveram a coragem de defender a sua fé em Jesus Cristo em frente das mesmas autoridades judaicas que, anteriormente, tinham levado Jesus aos Romanos para ser crucificado. Coragem dada pelo Espírito para a propagação da Fé.
O Livro de Actos dos Apóstolos é a historia do começo desta propagação. A nossa Igreja começou com somente umas 120 pessoas[3], os onze Apóstolos, as três Marias: a Virgem Maria e a outra Maria, irmã dela e mulher de Cleófas, que foi mãe do S. Tiago e S. José[4], e Maria Madalena, Salomé[5], Joana[6], e ainda outras mulheres e homens que seguiram Jesus durante a sua vida, e até ao fim. E foram as mulheres que ficaram com Jesus mesmo até ao fim nos Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas: talvez porque fosse mais perigoso para os homens, e só no Evangelho de S. João nos aparece um dos Apóstolos, o que Jesus amava, ao pé da Cruz com Maria, a mãe de Jesus[7].
E a partir destes 120 crentes, a Igreja cresceu, primeiro em Jerusalém, e em pouco tempo em todos os lugares do Império Romano. Dezenas, e depois centenas, e depois milhares de pessoas foram convertidas, apesar das perseguições, feitas, primeiro pelos Judeus[8], e depois pelo Império Romano[9].
E cresceu por todo o lado mesmo! Este grupo tão diminuto, tão pobrezinho, que era uma minoria impopular numa província pequenina e pobre, sem importância num Império imenso, cresceu tão rapidamente que só foi possível graças ao poder do Espírito. Numa altura em que não havia aviões, carros, ou comboios, setenta tal anos depois da Ressurreição, já havia comunidades de cristãos em cidades que agora são partes do Egipto e Síria, Jordão e Turquia, Grécia e Macedónia, e até em Roma. O Cristianismo foi pregado não só pelos missionários oficiais, como S. Paulo, mas também pelos comerciantes que eram crentes, que, animados pela sua nova Fé, evangelizaram outros quando viajavam para vender os seus produtos.
A mensagem redentora de Jesus Cristo obteve enorme sucesso entre as pessoas mais excluídas numa sociedade tão hierárquica, entre mulheres e pobres, e escravos, porque deu uma nova esperança[10]. Como todas as coisas fora da norma, esta nova crença pareceu perigosa para a estabilidade do Império. As perseguições oficiais dos cristãos pelos Romanos começaram bem cedo; a primeira foi local, somente em Roma, com o Imperador Nero no ano 64, mas as perseguições dos outros Imperadores, até a última de Dioclesiano, entre os anos 284 e 312, foram no Império inteiro.
Durante os primeiros séculos, antes do Cristianismo se ter tornado a religião do Império no Ano 313, ninguém sabe quantos milhares de cristãos foram martirizados. E a coisa mais incrível? A maioria podia-se ter salvo! Para os Romanos, o problema com os Cristãos não era o facto de eles crerem em Jesus Cristo como Deus: o problema era que eles criam em Jesus Cristo como sendo o único Deus. O Império não tinham problema nenhum com a sua multidão de povos com as suas multidões de deuses. Mas... num Império com tantas culturas, tantos povos diferentes, a veneração da deusa ‘Roma’ e do Imperador foi o “colo” que o manteve unido. Então, todo o mundo no Império inteiro, (menos os Judeus na Província da Palestina, que tinham permissão especial de ficar monoteístas) precisava de queimar o incenso no altar Romano.
E os Cristãos, crescendo como ervas daninhas por todos os lados, recusavam-se a cultuar a deusa ‘Roma’, e a aceitar a divinização dos imperadores. E por esta falta de fidelidade ao Império, precisavam de morrer.
Mas muitas vezes, bastava-lhes queimar um pouco de incenso, uma vez... sem abandonar a sua religião tão estranha (que até dava a impressão de canibalismo, com eles falando sobre o comer o corpo e beber o sangue deste “Jesus)... mas não. Eles preferiam morrer, torturados, comidos por animais selvagens, ou queimados vivos, do que venerar qualquer outro deus.
Como é que eles podiam ter tanta coragem: antes morrer do que venerar o deus do Império? Porque sabiam que, para um Cristão fiel, a morte não é o fim. Sabiam que a morte foi tragada pela vitória, pela Ressurreição de Jesus Cristo.
Mas tudo isso foi nos primeiros três séculos... o que é que tudo isso significa para nós, hoje?
Significa isso: que nada mudou nestes dois mil anos. Para nós que somos Cristãos, membros da Igreja una, santa, católica e apostólica, a responsabilidade de ser fiel, de defender a nossa Fé, é a mesma. Durante séculos, os Cristãos tiveram a oportunidade de escolher entre a Fé e a segurança. Posso falar sobre milhares destes cristãos, mas não quero pregar durante três ou quatro horas: vou mencionar apenas alguns.
S. Tomás Becket, o Arcebispo de Cantuária, disputou sobre os direitos da Igreja com o Rei Henrique II de Inglaterra. Beckett, antes de ser consagrado, foi Chanceler e amigo do Rei, mas após a sua eleição, como Arcebispo em 1162, foi coerente e sério com o seu cargo: mudou para uma vida ascética e monástica, e começou a resistir vigorosamente às violações das liberdades eclesiásticas por parte do monarca. E quatro dos cavaleiros do Rei mataram o Arcebispo em 1170, na sua própria catedral. As suas últimas palavras foram: “Em Nome de Jesus e da protecção da sua Igreja, estou pronto a abraçar a morte.”[11] Ainda agora, há um altar no local aonde Beckett morreu, e o Arcebispo de Cantuária, nosso metropolita, celebra lá a Eucaristia.
Se Beckett foi martirizado às ordens de um Rei, um outro mártir, também Anglicano, foi curiosamente um Rei de Inglaterra. O Rei Carlos Primeiro, foi martirizado em 1649, pelo governo Puritano. O Rei tinha de escolher: ou renunciar à Sucessão Apostólica e ao Livro de Oração Comum (a Liturgia Anglicana), ou eles matavam-no. Ele recusou, e disse que seria melhor morrer do que abandonar a Fé una, santa, católica e apostólica. Foi degolado no dia 30 Janeiro de 1649[12].
E também há mártires modernos. Nos Estados Unidos, o Pastor Martin Luther King dedicou a sua vida à luta não-violenta pela justiça e direitos civis, não só para os negros mas para todos, e sempre com uma perspectiva Bíblica: que a coisa mais importante é o que Deus reclama de nós: “que pratiques justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”[13].
Ele sabia-se odiado pelos racistas, mas a sua coragem, baseada na sua fé, nunca falhou. Como ele disse: “Se não estás pronto a morrer por alguma coisa, não estás pronto para viver.”[14] E pouco mais tarde, foi assassinado.
O King, apesar de ser um pastor Baptista, é um dos santos oficias da Igreja Episcopal, da Igreja Anglicana nos Estados Unidos. A sua festa é celebrada a 4 de Abril, o dia em que ele foi martirizado em 1968.
Nem todos os que arriscavam morreram, claro. O importante não é ser-se mártir, mas viver a fé, conhecendo os riscos mas não os deixando impedir-nos. Vou acabar com minha listinha dos santos com dois portugueses, e no caso do primeiro, nem sei se foi Cristão. Hoje é dia 26 de Abril: talvez se o Domingo tivesse calhado no dia 25, poderiamos cantar a “Grândola” em vez de um dos hinos. Uma coincidência... o dia do calendário da Igreja Episcopal para lembrar o Doutor King é 4 de Abril, que também é o dia no qual um português famoso morreu. A 4 de Abril, 1992, com sómente 48 anos, morreu o Capitão Fernando José Salgueiro Maia. Eu não sei se Salgueiro Maia foi crente... mas sei que tinha coragem. Foi ele que avançou a pé e sozinho na Rua do Arsenal, de braços erguidos e agitando um lenço branco, em direcção aos blindados das forças fiéis à ditadura. Para seu bem e de todos nós, os soldados não obedeceram às ordens de fogo dadas pelo seu brigadeiro. Salgueiro Maia sabia que podia morrer na madrugada de 25 de Abril, mas ainda fez o que precisava sem ceder por medo[15].
Mas a semana passada, eu aprendi sobre a vida de outro dos heróis da fé, um que é muito desconhecido até no seu próprio pais: uma amiga deu-me um livro português[16] sobre o Aristides de Sousa Mendes, que foi o Cônsul de Portugal em Bordéus, França em 1939 e 1940. Em Novembro de 1939, quando os Nazis já começavam a sua “Solução Final” para matar os Judeus, o Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu a “Circular 14”, instruções rígidas para não dar vistos aos refugiados que tinham o perigo: judeus, antifascistas e os “apátridas”. Sousa Mendes, um diplomata profissional de muitos anos, não podia aceitar tal: achava que isso era racista e atroz.
No dia 10 de Maio, 1940, os Nazis começaram a invasão da França. Em Junho, Bordéus foi inundada por setecentos mil refugiados, incluindo muitos judeus. Sousa Mendes sabia que a Constituição de 1933 tinha a garantia que «em nenhuma circunstância a religião ou as convicções políticas de um estrangeiro o impedem de procurar refúgio no território português», o contrário da “Circular 14”. O cônsul foi um Cristão, um Católico, e necessitou de tomar uma decisão.
Ele passou três dias em retiro. Quando saiu a 16 de Junho, anunciou que tinha decidido salvar todos aqueles e aquelas que pudesse salvar das feras Nazis, no tempo que ainda lhe restava.
Entre 17 e 19 de Junho, trabalhando dia e noite, ele deu vistos a todos os que queriam : talvez 50 ­mil ou mais, em desobediência às ordens do Dr. Salazar. Só parou, na noite de 19, quando a cidade foi bombardeada pelos Nazis. Ninguém sabe os números exactos, mas é praticamente certo que 30 mil refugiados, incluindo 10 mil judeus, tenham conseguido entrar em Portugal, só por causa deste Cristão.
O Dr. Salazar ficou furioso. Sousa Mendes foi escorraçado do corpo diplomático sem qualquer reforma, e a PIDE assegurou-se de que ele nunca mais trabalharia; os seus filhos tiveram de emigrar para achar trabalho. Ele perdeu a fé na Igreja Católica Romana, mas nunca perdeu a sua fé Cristã, e meses antes do seu falecimento, tinha sempre As Confissões de Santo Agostinho à cabeceira. No ano de 1958, morreu em pobreza total, no Hospital da Ordem Terceira, um hospital Franciscano em Lisboa, e nem dinheiro para o fato tinha ... foi sepultado numa mortalha do hospital, uma mortalha franciscana, da Ordem do santo pacifico dos pobres.
Ele foi um desconhecido em Portugal: muitos ainda não o conhecem. Depois da guerra, quando o mundo inteiro soube do Holocausto, ele que tinha salvo tantos milhares não foi considerado um herói pelo governo. Não foi, até 1976, dois anos depois dos ‘Cravos’, altura em que o primeiro artigo sobre ele, que arriscou tudo e foi tão castigado, foi finalmente publicado em Portugal[17].
Aristides de Sousa Mendes também não pensem que era um herói... mas era sim um Cristão.
Rabino Chaim Kruger, um judeu a quem ele ajudou, escreveu: “Ele disse-nos que tinha sido expulso das suas funções por causa de todo este incidente, no entanto, sentia-se com grande satisfação, porque se milhares de judeus tinham sofrido por causa dum católico, então valia a pena que um católico sofresse por todos aqueles judeus. E ele aceitou tudo isto que lhe estava a acontecer com amor.”[18]
Acho que é triste, que este modelo de Fé português não seja mais e melhor conhecido, quer em Portugal quer no mundo inteiro. É irónico, que Oskar Schindler (do filme A Lista de Schindler), seja tão famoso porque salvou talvez 1.200 pessoas, enquanto o desconhecido Sousa Mendes salvou 30.000 pessoas .
Num mundo aonde é tão fácil nada dar, de só fazer o mínimo que é preciso, de obedecer aos superiores, de não fazer barulhos... temos aqui um homem que pode ser um modelo para as nossas crianças, para nós mesmos... e ninguém conhece a sua história!
Neste mundo, com todos os seus problemas, é nos dada a oportunidade de defender os fundamentos e valores Cristãos, de trabalhar por um mundo de justiça e de amizade para todos. Sabemos que podemos ter um preço a pagar: que uns Cristãos têm de sacrificar as suas vidas, outros a sua saúde, e outros as suas riquezas e segurança. Outros têm de sacrificar nada mais do que um pouco tempo.
Estamos agora no tempo de Páscoa, quando nos é dado saber que qualquer preço que precisamos de pagar neste mundo vai ser somente temporário, por causa do grande preço que Jesus já pagou por todos nós sobre a Cruz. Mesmo a morte é apenas temporária agora, desde a Ressurreição.
A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Aleluia, Cristo ressuscitou!
Na verdade ressuscitou. Aleluia!

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.

Notas:



[1] S. João 20,19
[2] S. João 19, 25
[3] Actos 2,15
[4] Actos 2, 14; S. Mateus 27,56; S. Marcos 6,3 e 15,47; S. João 19, 25, e no Actos 2, 14-15, os onze Discípulos, a mãe de Jesus, e “os irmãos de Jesus” foram 120 irmãos! No Médio Oriente, na altura e também ainda na Palestina, a palavra “irmão” significava qualquer homem da família ou da clã.
[5] S. Marcos 15,40
[6] S. Lucas 24,10
[7] S. João 19,26último
[8] Actos 5, 17-18; 7, 54-60; 8, 1-3
[9] http://br.geocities.com/momentoscomjesuss/historia1/perseguicao.htm
[10][10] http://educacao.uol.com.br/historia/roma-cristianismo.jhtm
[11] Dicionário da Idade Média, por Henry Loyn, Traduzido por Alvaro Cabral, Edição de Jorge Zahar Editor Ltda, 1990
[12]http://www.skcm.org/SCharles/History/history_Charles.html
[13] Miqueias 6,8
[14] http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/martin.htm
[15] Notícias Magazine (suplemento do Díario de Notícias de 19.04.2009); www.vidaslusofonas.pt/salgueiro_maia.htm
[16] Aristides de Sousa Mendes: Um Justo Contra a Corrente, por Miriam Assor, 2009 (todas as notas com um ‘*’ vem deste livro)
[17] Diário Popular, 4 Maio 1976*
[18] Carta enviada ao Museu Yad Vashem, 23, May 1967*

REMEMBER! St. Charles, King and Martyr, and Aristides de Sousa Mendes

Saint Charles, King and Martyr, who was canonized by the Anglican Church on April 26, 1661, is featured prominently in my sermon tomorrow morning (April 26th) at the Anglican Igreja de São João Evangelista in Vila Nova de Gaia, Portugal. I am including King Charles as one of the saints of the Church who risked all and sacrificed much for his faith, along with the martyrs of the early Church killed by the Romans, St. Thomas Beckett, Capitão Salgueiro Maia (the 25th is Portuguese Independence Day, when Salgueiro Maia's courage was partly responsible for the lack of bloodshed during the governmenal overthow; coincidentally, he died on April 4 of 1992-- Dr. Martin Luther King, the American Protestant religious leader who fought for Civil Rights and against war, was martyred on April 4, 1968), and especially Aristides de Sousa Mendes, the Portuguese diplomat.

Asigned to Bordeaux, France, Consul Aristides de Sousa Mendes, because of his Catholic faith, chose to disobey his Portugese Fascist government in 1940 and issue entry visas into "neutral" Portugal to perhaps some 50,000 refugees from the Nazis in two days (stopping only when the Nazi bombadment destroyed the Consul). An estimated 30,000, including 10,000 Jews who almost certainly otherwise would have ended up in the Camps, were actually able to get across the Spanish border, cross all of Spain, and get into Portugal (despite the best efforts of the Portuguese "political police").


Sousa Mendes was thrown out of the Diplomatic Corps without a pension, and Salazar's secret police ensured he never worked again... for that matter, his sons had to emigrate, as the very name "Sousa Mendes" was blacklisted across the country. In 1958, he died in abject poverty in a Franciscan hospital-- without even the funds for a burial suit. He was buried in a Franciscan Tertiary shroud donated by the hospital. I think St. Francis, Il Povorello, would approve.

It's ironic that Oskar Schindler, who saved between 1,000 and 1200 lives, should be remembered in best-selling books and a major movie, Schindler's List, while Sousa Mendes, who saved 30 times as many, is virtually unknown, even in Portugal. But then, Hitler died, and the new government honored the enemy of the old. In Portugal, Salazar continued in power until 1968, when he was injured in a fall; the fascist 'New State" fell in a virtually bloodless military coup on April 25, 1974, with free democratic elections followed two years later. Only after the Salazaristas were out of power could Sousa Mendes' name even be published in the Portuguese press. Sousa Mendes, in his willingness to sacrifice himself to love justice, to do mercy, and to walk humbly with his God, was a true hero, but knowledge of that which he defended made those in power uncomfortable, and so he went unremembered. It is too easy for those in power to control knowledge.

St. Charles, King and Martyr, died willingly, because he believed in the one, holy, catholic, and apostolic faith. Is it any wonder that his name has been lost from our Kalendar?

Remember!
Francis+

04 April 2009

Two photos from Evora, Portugal

Remember, o man, that thou art dust, and to dust thou shalt return.'

The 'Capela dos Ossos', a chapel that is part of a 500 year old Franciscan church. The chapel, constructed from skeletons from monastic cemeteries in the city (including some 5000 skulls), was used for meditating on our human mortality. After the initial shock, it is profoundly moving.





The Roman Temple at Evora
The ruins of the Roman Temple in Evora, possibly dedicated to Diana and dating to the 1st or 2nd Century.


All photos: © 2009 by Francis C. Zanger


06 March 2009

Why visit Portugal? Some preliminary responses...

Portugal is a delightful, relatively inexpensive and largely undiscovered place for tourists if you stay out of the Algarve beach areas (a major British tourist area) and region around the capital city, Lisbon. [Actually, Lisbon is wonderful for tourists... it's just not 'largely undiscovered'!] Portugal is particularly fascinating for people interested in history: it is the oldest nation in Europe in terms of unchanged borders, and before it was Portuguese, much of it was Moorish (as can be told by elements in the architecture, language and even cooking), before that, Suevi Christian they were related to the Goths and Visigoths), before that, Roman (Braga in the north was once Bracara Augusta, the capital of the Roman northern Iberian province), before it was Roman, Lisbon was a Phoenician trading port (the same Phoenicians as in the Old Testament), while much of the rest of the country was Celtic (yes, same tribe as the original Scots and Irish, and bagpipes are still played in rural areas!), and WAY back in prehistory, it was Liguorian.

For wine lovers, Portugal is amazing-- a nation the size of Indiana in the US, but with dozens of very different growing areas and wines. The wines (both full-bodied reds and whites) of the Douro area (near Porto, also the home of Port wine) and of the Alentejo (southeast of Lisbon) are my particular favourites, along with the Vinho Verde (literally, 'green, or new, wine') of Minho in the far north. Vinho Verde comes in both reds and whites, is somewhat less alcoholic at app. 10% vice the 12.5-14% of most wines, and is light, refreshing and almost bubbly. The only place in the world producing it is the Minho area, and it's only recently begun being exported.

There is some very good regional cooking-- visitors should try Carne de Porco Alentejano, a casserole of cubed pork, potatoes and tiny clams, still in their shells, and at least one of the over 100 (1000?) ways bacalhau is prepared-- dried cod that has been soaked so that appears fresh, and cooked in a myriad of tasty ways. At the "fast food" level, while it's true that you can find a McDonald's (NASA's Mars Explorer reportedly found one there, too), the Portuguese equivalent of a 'Big Mac', a "Prego em Pão", is infinitely better-- a thin-sliced steak with even-thinner slices of ham and cheese and a fresh-baked roll. A short step up is a "Prego em Prato"-- the same thing on a plate, only with a fried egg on top (it's actually delicious!), with the olives and bread on the side-- along with both fries and rice. It isn't too hard to find starches here! Equally good is "Feveras em Pão", a thin-sliced, peppery pork steak on a fresh-baked roll, or "em Prato", with the olives, fries, rice and bread. If you ask for an 'ovo estrelado', you can get the fried egg on top!

It's a great country for farmer-made cheeses, too-- cow, sheep, goat, or mixtures thereof. Between the different cheeses, the dozens of regional sausages and the vast varieties of breads (I counted over 40 versions of each at a local supermarket), you can eat very well... if you've saved room for a meal after sampling the dozens of different pastries, often invented in convents and delicious with Portugal's strong coffee, and available at little cafés on almost every street corner.

Most cafés/bars (there is no strict distinction made in Portugal-- the place that serves you your morning coffee (an espresso is a 'café' in the north; a 'bica' in Lisboa and further south) and pastry will sell you a sandwich and a draft beer later in the day (a 'fino' in the north, an 'Imperiál' in Lisbon and further south!). Both cafés and restaurants usually have televisions on, a distraction or annoyance for some American travelers. Although the TV is almost always on, its true purpose is to enable the Portuguese to watch the futball (soccer for Americans) games that are only on pay-for-view.

While alcoholism and serious drug abuse are less common in Portugal than in many countries, there is a serious addiction to football! Despite its relatively small size and thus small population to draw from, Portugal boasts some of the finest football players in the world... Ronaldo, who plays for the Portuguese national team (as well as for England's Manchester-- England, being much richer, hires away many Portuguese and Brazilian players), is currently the world's top player. (Watching him move a ball downfield sometimes seems more like watching dance, or perhaps magic, than sport.) And... even if you're not a fan, it can be fun for a tourist to watch the real fans watch the game!

If your faith is more traditional than 'football team worship', Portugal is also home to Fatima, one of the world's major shrines commemorating the Virgin Mary, who is 'officially recognized' by the Roman Catholic Church as having appeared to three young shepherds in the hills of Fatima in the early 20th Century, some 150 kilometres north of Lisbon (as compared to Medugorje, an apparition site not officially recognized by the Roman Catholic Church). Fatima is one of the world's biggest pilgrimage sites.

In Braga, the 12th Century Sé (Cathedral), built atop the site of a Suevian church destroyed in the 6th Century is also worth the visit, and its museum should not be missed, containing artefacts from the Cathedral and Archdiocese's long history. Braga was for awhile the Archdiocesan seat of all Iberia, and remains the most actively-Catholic city in Portugal. Its history as a center for Christian worship is old indeed-- São Victor was martyred in Braga by the Romans during the Diocletian persecutions, and while the Church of São Victor is relatively new (just a couple of centuries), its Capela (chapel) is much older, and contains the Roman executioner's stone on which St. Victor was beheaded, carefully hidden away by the community of believers until, under Emperor Constantine in the early Fourth Century, Christianity was made legal in the Roman Empire.

Braga's the Church of Bom Jesus is well-known for the amazing staircase criss-crossing up the mountainside to the church itself. One of the finest examples of Manueline architecture, there is a statue, fountain or shrine at every turning, including life-sized renditions of the 14 Stations of the Cross, the allegorical Stairways of the Five Senses and of the Three Virtues, the Fountain of the Five Wounds of Christ, and the Chapel of the Descent from the Cross. The church itself, built in 1811 by architect Carlos Almirante, is perhaps less interesting than its approach, although one of its side chapels is interesting-- its walls are covered with pen-scrawled grafitti! The grafitti isn't obscenities or gang-signs, but rather prayers of intercession from the faithful, asking God's help. [For those who canot climb the stairs, the Igreja de Bom Jesus may also be reached by the Funicular, which dates back to 1882 and makes it the oldest water-powered elevator/railway of its sort. The Church can also be reached by automobile.] Even if you're not planning to visit the church, the ride up is worth it-- the view from the top is breath-taking.

Breath-taking in a different way is a 17th Century Franciscan chapel, built onto the 15th Century Church of São Francisco in Evora. At the time, the small city's cemeteries were becoming over-filled (it was a city of many monasteries and convents, as well as a fine Jesuit university, unfortunately closed when the Marques de Pombal had the Jesuit order evicted from Portugal in the mis 18th Century), and the 17th Century Franciscans decided to build a chapel dedicated to meditation on mortality. The chapel, called the Capela de Ossos (Chapel of Bones), is just that-- the walls, pillars, etc. are completely (and decoratively)lined with bones from monk's skeletons, including an estimated 5,000 skulls. The initial effect is admitedly gruesome; however, with time, examination and contemplation, a visitor may be struck by other feelings-- the bones are all remarkably similar; in size, in shape, in coloration. The reminder of just how little different we are in the physical sense, and how temporary the differences we see as so important really are, is counterbalanced by the faith that the God who made us sees each of us, living and dead, as an individual, a whole person made by God in His own Image. If taken beyond the quick "tourist peak", a visit to the Capela de Ossos can be powerful indeedm, particularly given the motto the Franciscans inscribed over the door:"Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos" (We, the bones which are here, are awaiting yours).

Evora was a place of worship long before the arrival of the Franciscans, however, and is best known for the Roman temple, variously described as being dedicated to Diana, Jupiter, or perhaps the current Caesar. Although only the pillars of two sides remain standing, the temple, probably built in the Second Century, is truly beautiful, silhouetted against the sky. Its history is less beautiful... after fulfilling its function as a place of worship, it was used variously as a slaughterhouse, an armoury, and (during a period of Spanish invasion), by the Spanish Inquisition as a place to burn Jews and so-called 'heretics'. There is a small and rather disturbing monument commemorating the lives lost to the Inquisition, a sculpture of what appears to be a corpse in an open coffin-shaped box, across the parking area from the temple-- the night I discovered it it was quite dark and had recently rained, half-filling the marble coffin and creating an almost-frightening, yet saddening, effect.

Food, faith and football aside, Portugal is still worth the visit just to meet the people. The Portuguese are warm, friendly and inviting. They will go far out of their way to be helpful-- I've had people walk four or five blocks in the direction opposite they were headed, just to ensure I understood their directions. English is more widely understood than spoken (films and TV from the US and Britain are shown in English with Portuguese subtitles), and French is frequently understood in a pinch. If possible, avoid using Spanish... while the mutual animosity is dying out in the younger generation, it has centuries of unhappy history.

Portugal remains among the least-expensive places to visit in western Europe-- largely because is remains among the poorest. However, its financial poverty is more than made up for by its cultural, historical and gustatory richness.

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